Artesanato entreVISTAS: Claudia Mayorga e Mateus Servilha

Artesanato entreVISTAS com Claudia Mayorga e Mateus Servilha

AUTORIA: Ari Rodrigues

Realizada no dia 3 de dezembro, excepcionalmente às 17h, a segunda edição do quadro “Artesanato entreVISTAS” contou com a participação de Claudia Andréa Mayorga Borges, Pró-Reitora de Extensão da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e Mateus de Moraes Servilha, Coordenador Geral do Projeto e Professor de Geografia na Faculdade de Educação da UFMG. O encontro, conduzido por Luiz Henrique Freitas, bolsista do projeto “Estruturação do Sistema de Gestão do Artesanato Brasileiro: Diagnóstico e Planejamento Estratégico”, tratou da  importância da iniciativa no contexto da extensão universitária

Com a missão de alicerçar a marca da Rede Artesanato Brasil, enquanto interface pública do projeto de diagnóstico do artesanato brasileiro, e tornar a metodologia ainda mais participativa, o programa está estruturado no levantamento geral de questões relevantes para a compreensão da iniciativa e possibilita a interação do público através de perguntas no chat. A estreia do quadro foi realizada em 26 de novembro e teve Fábio Silva e Dorotéa Naddeo como convidados. No decorrer da temporada, serão realizadas entrevistas com os principais nomes envolvidos no projeto, como membros da Coordenação, do Programa do Artesanato Brasileiro (PAB), da UFMG, do Sebrae e das organizações de representação dos artesãos.

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Entrevistados da 2ª edição

Claudia Andréa Mayorga Borges

Doutora em Psicologia Social pela Universidade Complutense de Madri. É professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais e do Programa de Pós-graduação em Psicologia. É Pró-reitora de Extensão da UFMG (2014/2018 – 2018-2022).

 

Mateus de Moraes Servilha

Mateus Servilha

Professor de Geografia na Faculdade de Educação da UFMG, Doutor em Geografia pela UFF, Mestre em Extensão Rural pela UFV e Graduado em Geografia (bacharel e licenciado) pela UFV. Criador e coordenador do Outridades – Núcleo de Estudos e Pesquisa em Espaço, Emancipação e Sujeito. Atualmente na coordenação geral do projeto de extensão “Estruturação do Sistema de Gestão do Artesanato Brasileiro: Diagnóstico e Planejamento Estratégico”.

A parceria entre PAB e UFMG

Claudia Mayorga iniciou sua fala com esclarecimentos sobre a cooperação entre a Universidade Federal de Minas Gerias e o Programa do Artesanato Brasileiro – PAB, que alicerça o projeto. Segundo ela, o PAB Minas conversou com a instituição de ensino superior para avaliar o interesse no desenvolvimento da iniciativa, que seria o primeiro diagnóstico do artesanato em âmbito nacional. A Pró-reitora de Extensão afirmou que a confirmação se deu quase imediatamente devido ao histórico da UFMG em participar de projetos de grande magnitude para fortalecer políticas públicas em múltiplos setores da sociedade.

Além disso, Mayorga enfatizou que a extensão universitária atua em diversas frentes, que compreendem desde estudos e pesquisas multidisciplinares a ações de intervenção e atividades de mobilização social. Desse modo, a ideação do que seria a Rede Artesanato Brasil resulta de processos anteriores na universidade e no próprio setor artesanal, e foi incrementada tanto com o encontro do professor Mateus Servilha e de Dorotéa Naddeo, coordenadores do projeto, quanto com a atuação de docentes que realizam pesquisas relacionadas à atividade.

Foram ressaltadas, ainda, as articulações em rede na UFMG, em especial a parceria com a Diretoria de Ação Cultural, responsável por questões que compreendem a cultura popular, entre elas, a Feira de Artesanato do Vale do Jequitinhonha. Nesse sentido, destacou que a espinha dorsal da atividade artesanal está nos saberes tradicionais que são geograficamente variados, a construção da rede considerou as perspectivas complementares e pautou-se nas contribuições de todos os atores. Em adição, a Pró-reitora de Extensão ressaltou que a realização das atividades é possível em função da contribuição de outras seis universidades federais e duas estaduais, o que contribui com a formação técnica e humana dos estudantes envolvidos

Mateus Servilha, coordenador do projeto, disse que quando recebeu o convite da Proex para comandar a iniciativa, logo se interessou pela temática, tendo em vista que sua formação compreendeu estudos no Vale do Jequitinhonha, nos quais foram abordados temas transversais ao artesanato, como sociologia e antropologia econômica, espaço, saberes, cultura e arte, e que para exercer a coordenação do projeto, realizou pesquisas a respeito e manteve-se engajado graças à participação de pessoas com vasta experiência na gestão do artesanato, como Dorotéa Naddeo, e de professores especialistas no assunto.

Ademais, o coordenador definiu o quão relevante é a universidade pública estar à frente do projeto, cuja estrutura foi pensada para ser participativa, democrática e dar voz a todos, com trabalhos e resultados voltados ao longo prazo. Servilha apresentou, também, os desafios centrais da iniciativa: como o diagnóstico é amplo, pois aborda os problemas e os obstáculos que afetam o ecossistema do artesanato nacional, e estuda os avanços de políticas públicas, é necessário um gerenciamento preciso, sobretudo durante a crise sanitária desencadeada pela pandemia de Covid-19.

A pandemia de Covid-19

Em seguida, o entrevistador questionou como a chegada do novo coronavírus impactou o formato das atividades e as articulações entre os múltiplos atores da Rede Artesanato Brasil. Segundo Servilha, o desenvolvimento das tarefas foi possível devido aos instrumentos tecnológicos, que permitiram alcançar pessoas que seriam mais difíceis no modelo presencial, tanto os envolvidos com o setor, quanto os universitários que compõem parte dos recursos humanos. Destacou-se, ainda, que a plataforma web simboliza uma ótima ferramenta para a comunicação do projeto em meio ao distanciamento social.

A concepção da iniciativa  previa a atuação de outras instituições de nível superior ao redor do país, de modo a compor um complexo multicultural, com uma equipe em cada Unidade da Federação. Entretanto, tendo em vista que a estruturação de 27 equipes estaduais demandaria um tempo mais longo, para agilizar a execução das atividades previstas no projeto, priorizando o levantamento de dados sobre a realidade do artesanato brasileiro optou-se, na fase inicial, pelo estabelecimento de conexão com um grupo de pesquisa em cada regional, que totalizam sete: Norte I, Norte II, Centro-Oeste, Nordeste I, Nordeste II, Sudeste e Sul.

Além das universidades, participaram membros do Sebrae, gestores e representantes dos artesãos de todos os estados do Brasil. Em suma, de acordo com o professor Mateus, a metodologia do projeto está orientada em uma estrutura articulada nacional e não na junção de trabalhos individuais das regiões.

Primeiro curso de extensão

Mateus Servilha salientou a oferta do primeiro curso de extensão, entre agosto e setembro do ano passado. Denominada Políticas Públicas e Desenvolvimento do Artesanato, a formação foi destinada, inicialmente, a representantes nacionais e estaduais do Programa do Artesanato Brasileiro, do Sebrae, das Confederações e Federações de Artesãos. O objetivo central foi oferecer uma oportunidade de capacitação sobre políticas públicas para os diversos atores atuantes no setor do artesanato brasileiro.

Políticas Públicas e Desenvolvimento do Artesanato

Temáticas desenvolvidas no curso Políticas Públicas e Desenvolvimento do Artesanato.

Claudia Mayorga defendeu também o compromisso da extensão universitária com a sociedade. Para ela, o enfrentamento de questões históricas e sociais do país ocorrerá a partir do reconhecimento dos saberes dos sujeitos e das organizações da sociedade. Através da participação na Rede Artesanato Brasil, os estudantes obterão expertise técnica e se conectarão com a sociedade ao conhecê-la de maneira mais detalhada, assimilando o ideal cidadão e adquirindo responsabilidade por sua transformação. 

Por fim, a Pró-reitora de Extensão expressou a satisfação em colaborar com a democratização do artesanato — desde o fazer até a comercialização — e agradeceu aos envolvidos nas atividades voltadas ao diagnóstico, inclusive a confiança do Programa do Artesanato Brasileiro na UFMG, de modo que haja modificação da realidade dos artesãos por parte do Poder Público. Adicionalmente, o coordenador do projeto reforçou que a observação e a interpretação do setor artesanal brasileiro sob uma ótica multidimensional ratificam a relevância da atividade nos campos das políticas públicas, questões sociais e econômicas, além da manutenção da memória e dos saberes tradicionais.

Confira a entrevista na íntegra:

Artesanato entreVISTAS: Claudia Mayorga e Mateus Servilha

Na terceira edição, realizada em 10 de dezembro, às 19h, os convidados do quadro “Artesanato entreVISTAS” foram Fábio Silva, Coordenador-Geral de Empreendedorismo e Artesanato no Ministério da Economia, e César Rissete, Gerente da Unidade de Competitividade do Sebrae Nacional, que detalharam a parceria do Programa do Artesanato Brasileiro (PAB)/Sebrae e as perspectivas para o desenvolvimento da atividade no país. 

As opiniões emitidas nesta publicação são de exclusiva e de inteira responsabilidade do autor, não exprimindo, necessariamente, o ponto de vista da UFMG, do Ministério da Economia e do Programa do Artesanato Brasileiro.

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